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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

esmorecimento...

Bom... sentada aqui neste banco de metrô em pleno sábado de manhã, eu tenho todos os motivos para querer estar na minha cama dormindo.


O cansaço do ano está todo acumulado sobre meus ombros. A dura semana de trabalho e as oscilações do nível de stress enfrentado ao longo da semana fazem pesar um cansaço que não se cura com 8 ou 10 horas de sono. Logo, natural perder a hora da aula do cursinho pré-vestibular no sábado.


Desde o ENEM, eu venho enfrentando o esmorecimento, o desânimo e a sensação de que foi tudo em vão, que não vai dar certo e etc...


Mas aí me lembro de, como alunos em situação muito mais difícil que a minha enfrentam essa rotina com bom-humor e esperança. Lembro-me de que para muitos deles é uma fase difícil e decisiva, como já foi pra mim um dia... e penso que essa rotina de estudos foi uma escolha MINHA, e não uma imposição de ninguém. Foi opção minha tentar me formar em uma profissão diferente da atual. Enťão nada melhor do que encarar esse esforço com mais leveza... se esse ano não der, ano que vem tem mais :)


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terça-feira, 19 de julho de 2011

Meu sonho bom

Não sei ao certo
Se algum dia
Você realmente esteve por perto...

Aquela voz doce no meu ouvido
contando histórias de incertezas
loucuras
belezas

Os olhares que nunca se cruzaram
As lembranças compartilhadas
que nunca existiram...

Agora você é
de novo
um lugar vazio na minha sala
na minha cama

Você é meu sonho bom
É a voz desconhecida que me fez sorrir
sonhar

Mas agora olho nas quatro direções
e você não está lá... em nenhuma delas...

Não há mais voz
para cantarolar no meu ouvido
e me fazer sorrir

Não há mais olhar
para me intrigar
Não sinto mais o teu calor...

Você agora é só um sonho bom
que passou

As lembranças não são mais compartilhadas
E não há mais ninguém
para sentir tantas vontades

além de mim.

terça-feira, 12 de julho de 2011

um texto sem título sobre alguém que adoro demais...

Comecei este texto com o título de saudade...
mas acabei mudando, porque na verdade, a intenção dele não é falar só de saudade...

Há alguns anos conheci uma pessoa num bate-papo que, não sei por qual motivo, mexeu muito comigo...
E aos poucos fomos descobrindo o quanto tínhamos em comum...

A profissão (ele já havia mudado, mas já tinha trabalhado com a mesma coisa que eu), os gostos, e aos poucos fomos descobrindo vontades também em comum... mas nunca saiu da imaginação, das conversas (por telefone ou pela internet).
O fato é que, acontecimentos na vida dele fizeram com que se afastasse de mim. 
A primeira reação foi aquela que toda mulher "ressentida" tem: ficar com raiva.
Mas depois fui pensando, eu sabia que algo realmente sério estava acontecendo em sua vida, mas ele nunca me dizia o que era. Talvez por achar que eu não entenderia. Talvez por me achar imatura demais, sei lá! (Talvez eu seja mesmo para relacionamentos amorosos ou coisas do gênero) ele sempre foi meio misterioso mesmo...

A questão disso tudo, é que desde que ele "sumiu" da minha vida, tenho procurado, inconscientemente e em vão, por alguém que fizesse eu sentir o que ele fez (ainda faz).
Mas não é igual. E não é justo.
Procurar uma pessoa querida em alguém, quem não tem nada a ver com a história. Projetá-la no outro, para suprir aquela falta que essa pessoa te faz
Para matar a saudade que ela deixou.

Escrevo isso, e sinto meus olhos lacrimejarem, porque é a verdade.
Porque a falta que ele me faz nunca será suprida por ninguém, a não ser por ele mesmo.

Sei que isso soa infantil, imaturo. Nunca o conheci, como posso sentir tanta falta dele?
Não sei!

Só sei que desde que ele sumiu, 
sinto um vazio enorme aqui dentro do meu peito. 
Desde então tento preenchê-lo em vão, 
porque mais (muito mais) de uma vez, 
eu deito na minha cama e meu pensamento está nele. 
Imaginando se está bem, 
como estão seus pais, 
seu filho, 
se está tudo bem com seu trabalho
se ele conseguiu resolver esse problema tão sério que o afligia tanto 
e porque não dizer, 
que também imagino se existe alguma pessoa ocupando seu coração 
(e sinto uma ponta de ciúmes, apesar de não ter sido "nada" dele).

Me sinto imatura sentindo isso, escrevendo isso.
Mas o que posso fazer?
Não posso dizer que sinto tudo como antes...

Mas é mentira dizer
Que o esqueci;
Que não penso nas conversas (todas) que tivemos;
Que não sorrio ao lembrar das piadinhas e brincadeiras;
Que não me arrepio ao lembrar de certos assuntos que conversamos;
Que não sinto uma vontade imensa de abraçá-lo e dizer que tudo vai ficar bem;
Que não queria ajudá-lo, da maneira que pudesse...

Que não me sinto frustrada, por nunca ter olhado eu seus olhos, sentido seu abraço... 

Que sinto algum tipo de raiva ou algo do gênero...

Não conseguiria sentir (de verdade) nenhum sentimento negativo por ele... nem se me esforçasse... nem que quisesse...


Marcelo,
Sinto sua falta, meu amigo.
Espero que esteja tudo bem.
Adoro-te... muito!

domingo, 3 de julho de 2011

O poder da palavra (sem conotações religiosas...)

As palavras conseguem transmitir sentimentos e sensações com uma precisão indescritível...

Mas é claro que não funciona do mesmo jeito com todo mundo.

As palavras de um certo alguém fizeram (nos últimos 3 meses) esta mulher-menina
esta indefinição que vos fala
se sentir como não sentia há anos!

Transmitiram calor
desejo
carinho
ternura
amor...

Mas a falta delas também transmite algo talvez...
Transmite algo triste...
Me dizem para eu cuidar da minha vida
e deixar que meu duplo tome conta da sua  vida também...

Como sempre, 
o lado de cá
acaba abandonado.... triste...
sozinho...

e agora, em silêncio também...


domingo, 26 de junho de 2011

Errar uma vez é humano... e errar "n" vezes é...

... é burrice?
É ingenuidade?
É acreditar que as pessoas podem mudar?
É achar que podemos fazer alguém mudar para ficar conosco?
É projetar seu modelo de pessoa ideal no outro, e quebrar a cara sempre do mesmo jeito?

Sabem... achar esses e-mails antigos estão me fazendo pensar muito...

Nestes anos todos... na verdade, mais precisamente nos últimos 15 anos (foi quando dei meu primeiro beijo), eu tenho errado sempre do mesmo jeito...
todas as tentativas de "ficantes", rolos, ou namoros (este último nunca aconteceu) foram frustradas... em todas eu me ferrei sempre do mesmo jeito...

Porque?

Porque dou atenção e carinho demais
Porque "peço" atenção e carinho demais
Porque estou sempre à disposição
Porque sempre me encanto com pessoas que não estão nem aí pra mim

Aí eu sou sempre o lado que se estrepa... se chateia.
Sempre sou enganada
Sempre sofro

Mas acho que é porque fico tentando ou querendo que os outros sejam como eu sou... ou melhor, era.
A gente dá tanta cabeçada que chega uma hora começa a doer né?
Cansei se ser a menininha carinhosinha meiguinha... nunca ganhei nada sendo assim
Ou melhor
ganhei, vários foras, várias pessoas me fazendo de idiota...

Sabem... agora eu tenho certeza de que não acredito mais no amor...
não nesse amor ilusório que o povo almeja pra si.

Nada dura pra sempre mesmo né?

o recomeço

Olá!

Faz tanto tempo que não venho por aqui né?
Na verdade... aconteceu que eu não estava muito inspirada a escrever... 
queria postar algo bacana, algo para pensar, ou algo tocante... mas me falta inspiração...
E hoje nesta tarde meio fria, estou aqui limpando meu e-mail quando de repente acho umas mensagens de 7 anos atrás... 7 anos!!
Muita coisa né?
E percebi que desde que me entendo por gente, tenho errado sempre na mesma coisa... em muitos aspectos da minha vida...

Preciso refletir muito sobre o que eu sou, e onde quero chegar...



terça-feira, 12 de abril de 2011

Sentimentos do dia

A dor e o prazer têm a mesma intensidade, e estão intimamente ligados.
Se você se dispõe a sentir o prazer, precisa estar preparado para a
dor. Antes ou depois, ela sempre chega.

Mais uma vez, pena que não me preparei para a dor, embora sentisse
aqui dentro que ela estava bem perto...

Millena - 12/04/2011.

--
Enviado do meu celular

segunda-feira, 21 de março de 2011

apenas um poema apaixonado...

As palavras são o veículo do nosso sentimento um em direção ao outro...
Simples demais para transmitir algo tão complexo...
Complexo mas não de se entender.
O que sentimos não deve ser entendido.
Deve ser sonhado, tal qual como fazemos.
Deve ser vivido. Tal qual como queremos fazer...

Depois de você, minha imaginação não pára um segundo!
Fica viajando no seu olhar
da primeira vez que nos vimos.
Viajando no seu corpo
da primeira vez que nos exibimos...

E agora eu não sei o que pensar
Eu mal consigo pensar
Só há você na minha cabeça
no meu peito
e em todo o resto.

Suas palavras escritas foram transformadas em faladas
pela minha imaginação
e estão aqui me rodeando
e me enlouquecendo
E me fazendo sentir mulher
como nunca!

Tua poesia me alucina
me aquece a alma
me enlouquece!

...

As palavras já começam a me faltar
Porque tudo o que eu queria agora
Era te sentir junto de mim.
Não importa como.

Abraçado
Deitado
Agarrado
Suado
Molhado
Alucinado

De qualquer jeito
De todas as formas
Ao mesmo tempo
Agora!

Pouco a pouco
sei que você vai despir a minha alma
Como se brincasse de despir uma flor
pétala por pétala.
É assim que te quero
É assim que eu quero que você me queira.

Não sei mais quem sou
Mas sei que não penso em ser mais nada
Senão Tua.

Tua menina.

12ª semana de 2011

Hey kids!!

Como vão vocês?

O tempo passou e cá estou eu sem postar de novo... que feio né?

Muita coisa "aconteceu" nessa última semana! Muitos acontecimentos no mundo, muitos acontecimentos na minha vida.

Terremoto / Tsunâmi / desastre nuclear no Japão, Invasão na Líbia, revoltas no mundo árabe...
Na minha vida.... bem... tirando as aulas que voltaram... posso dizer que o "acaso" me fez encontrar da maneira mais improvável o meu espelho. Meu duplo. Meu gêmeo.
Ele é quase o meu espelho. Como ele mesmo me falou, "quem sabe em dimensões diferentes, não somos a mesma pessoa", mas eu mulher, e ele homem. 
Preciso muito escrever sobre isso, e já tenho um novo "sem meias palavras" aqui doido pra sair, mas ainda não parei exclusivamente para escrever sobre isso. Tenho me concentrado nas coisas do cursinho e do trabalho.... e um pouco do  coração também... :).

Apaixonar-se é um negócio louco né? Ainda mais quando é por uma pessoa tão parecida com você. Não sei onde isso vai me levar, mas estou aqui, de peito aberto, me jogando no desconhecido. Mesmo sem saber no que isso vai dar. Porque mesmo com essa dúvida, é bom demais!!

Preciso administrar o meu tempo da melhor maneira possível! Mas tentarei postar logo pelo menos o texto do "sem meias palavras" (até porque o bicho tá aqui na minha garganta, me engasgando!!)... se der, antes da próxima aula de redação!

Ahhhh... só pra lembrar que daqui a 5 dias o Bruce estará cantando no Morumbi... e eu não perderei dessa vez!! AAAAAAAAAAAHHHHH!!!! Finally!!!! :D

Bom... vou mandar um poema que escrevi esses dias... (vai dar pra perceber que foi esses dias).

Arrivederci!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Feliz feliz!

Feliz dia da poesia!!!

Meu maravilhoso devaneio

Ai tu que estás longe e perto
perto e longe...

Não me inspiras apenas a escrever-te uma canção
Inspira-mes a querer-te mais a cada segundo
a cada hora
a cada dia
a cada semana
mês
ano...

Mas ora coração!
minha inspiração está tão longe!

"Ora, digo eu!" Diz-me o coração.
"Achas mesmo que isso tudo
que esse louco absurdo
foi causado por mim?
Ai de mim que sofro
por causa das escolhas
feitas por este corpo!
Nunca escolho sozinho não!"

Será que que foi minha mente
quem escolheu minha inspiração?

Ela me diz que minha inspiração não passa de
um devaneio efêmero...
Quase uma bolha de sabão.
Linda, simétrica
Prestes a desaparecer a qualquer momento.

Mas sabe, eu nem ligo...

Quero apenas ser amada e querida
bem devagarinho
como diria Quintana:
"Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."

Millena F. R.

domingo, 13 de março de 2011

Afinal (Álvaro de Campos)

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. 
Sentir tudo de todas as maneiras. 
Sentir tudo excessivamente, 
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas 
E toda a realidade é um excesso, uma violência, 
Uma alucinação extraordinariamente nítida 
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas, 
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas 
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos. 
 
Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas, 
Quanto mais personalidade eu tiver, 
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver, 
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas, 
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento, 
Estiver, sentir, viver, for, 
Mais possuirei a existência total do universo, 
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora. 
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for, 
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo, 
E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco. 
 
Cada alma é uma escada para Deus, 
Cada alma é um corredor-Universo para Deus, 
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo 
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno. 
 
Sursum corda!Erguei as almas!Toda a Matéria é Espírito, 
 
Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos 
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho 
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo! 
Sursum corda!Na noite acordo, o silêncio é grande, 
As coisas, de braços cruzados sobre o peito, reparam 
 
Com uma tristeza nobre para os meus olhos abertos 
Que as vê como vagos vultos noturnos na noite negra. 
Sursum corda!Acordo na noite e sinto-me diverso. 
Todo o Mundo com a sua forma visível do costume 
Jaz no fundo dum poço e faz um ruído confuso, 
 
Escuto-o, e no meu coração um grande pasmo soluça. 
 
Sursum corda! ó Terra, jardim suspenso, berço 
Que embala a Alma dispersa da humanidade sucessiva! 
Mãe verde e florida todos os anos recente, 
Todos os anos vernal, estival, outonal, hiemal, 
Todos os anos celebrando às mancheias as festas de Adônis 
Num rito anterior a todas as significações, 
Num grande culto em tumulto pelas montanhas e os vales! 
Grande coração pulsando no peito nu dos vulcões, 
Grande voz acordando em cataratas e mares, 
Grande bacante ébria do Movimento e da Mudança, 
Em cio de vegetação e florescência rompendo 
Teu próprio corpo de terra e rochas, teu corpo submisso 
A tua própria vontade transtornadora e eterna! 
Mãe carinhosa e unânime dos ventos, dos mares, dos prados, 
Vertiginosa mãe dos vendavais e ciclones, 
Mãe caprichosa que faz vegetar e secar, 
Que perturba as próprias estações e confunde 
Num beijo imaterial os sóis e as chuvas e os ventos! 
 
Sursum corda!Reparo para ti e todo eu sou um hino! 
Tudo em mim como um satélite da tua dinâmica intima 
Volteia serpenteando, ficando como um anel 
Nevoento, de sensações reminescidas e vagas, 
Em torno ao teu vulto interno, túrgido e fervoroso. 
Ocupa de toda a tua força e de todo o teu poder quente 
Meu coração a ti aberto! 
Como uma espada traspassando meu ser erguido e extático, 
Intersecciona com meu sangue, com a minha pele e os meus nervos, 
Teu movimento contínuo, contíguo a ti própria sempre, 
 
Sou um monte confuso de forças cheias de infinito 
Tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço, 
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une 
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim 
Não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo, 
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira 
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas, 
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos. 
 
Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo. 
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão, 
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo 
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos 
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais. 
 
Sou uma chama ascendendo, mas ascendo para baixo e para cima, 
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um globo 
De chamas explosivas buscando Deus e queimando 
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha lógica, 
A minha inteligência limitadora e gelada. 
 
Sou uma grande máquina movida por grandes correias 
De que só vejo a parte que pega nos meus tambores, 
O resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis, 
E nunca parece chegar ao tambor donde parte ... 
 
Meu corpo é um centro dum volante estupendo e infinito 
Em marcha sempre vertiginosamente em torno de si, 
Cruzando-se em todas as direções com outros volantes, 
Que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço 
Mas não sei onde espacial de uma outra maneira-Deus. 
 
Dentro de mim estão presos e atados ao chao 
Todos os movimentos que compõem o universo, 
A fúria minuciosa e dos átomos, 
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos, 
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam, 
 
A chuva com pedras atiradas de catapultas 
De enormes exércitos de anões escondidos no céu. 
 
Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio 
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma. 
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode, 
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode, 
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge, 
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida, 
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes, 
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos, 
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções! 

Pseudônimo de Fernando Pessoa

José (Carlos Drummond de Andrade)

E agora, José?

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?
 
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?
 
E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?
 
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?
 
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !
 
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?

Um dia descobrimos... (Mário Quintana)

Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem. 
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela... 
Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer ... 
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável... 
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples... 
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom... 
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você... 
Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..." 
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso... 
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais... 
Enfim... 
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos 
todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito... 
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas 
as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

Simultaneidade (Mário Quintana)

"- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta."